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Felicidade de vitrine: o risco da exposição sem medida

Por Luiz Fernando Miguel

Vivemos na era da superexposição. As redes sociais se tornaram vitrines iluminadas, onde cada um escolhe cuidadosamente o que mostrar — e, principalmente, o que esconder. Entre filtros, legendas inspiradoras e sorrisos perfeitamente calculados, surge uma pergunta: será que estamos transformando a felicidade em um produto descartável?

O problema não é compartilhar momentos bons, mas sim medir a vida apenas por eles. A lógica da postagem constante pode nos levar a confundir felicidade com aprovação alheia. Um dia incrível parece só “real” quando ganha curtidas. E, assim, a alegria deixa de ser vivida para ser exibida.

O risco é grande: a felicidade, quando reduzida a um instante de aplauso virtual, perde profundidade. Ela se torna efêmera, como um story que desaparece em 24 horas. Passamos a buscar mais o registro do momento do que o momento em si. E, no fim, não é a vida que estamos vivendo, mas uma versão editada dela.

A verdadeira felicidade não cabe inteira em uma tela. Ela está na simplicidade de um abraço que ninguém fotografou, na conversa que não virou reels, na oração feita no silêncio do quarto. É nesses lugares ocultos que a vida encontra sentido, longe dos olhos de quem apenas consome imagens.

Talvez seja hora de desacelerar. De viver mais para o coração e menos para o algoritmo. De entender que não precisamos provar nada para ninguém, porque o valor da vida não se mede por visualizações.

A alegria mais verdadeira é aquela que, mesmo não sendo compartilhada, permanece. Não porque está nos holofotes, mas porque está enraizada no que somos. E essa, graças a Deus, não desaparece quando a bateria do celular acaba.

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