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Viver a fé em tempos líquidos

Vivemos em tempos líquidos, como dizia o sociólogo Zygmunt Bauman. Nada parece durar muito. Relações, verdades, compromissos… tudo escorre pelos dedos como água. Nesse cenário instável, onde o efêmero domina e o imediatismo dita o ritmo da vida, como viver uma fé que é, por essência, firme e enraizada?

A fé cristã não é descartável. Ela não é moda, nem opinião passageira. Ela é alicerce. E talvez seja justamente por isso que ela incomoda tanto num mundo onde tudo pode ser mudado com um clique, onde tudo é negociável. Viver a fé hoje é, de certo modo, um ato de resistência.

Mas não se trata de fechar os olhos para o mundo. Pelo contrário: viver a fé em tempos líquidos é olhar para o mundo com mais profundidade. É escolher o caminho do amor firme, da esperança que não desiste, da caridade que se compromete.

Em meio às incertezas, a fé nos convida à confiança. Não uma confiança cega, mas uma confiança que se apoia na certeza de que Deus permanece, mesmo quando tudo o mais parece desmoronar. É essa fé que nos faz levantar todos os dias e acreditar que há sentido, há promessa, há salvação.

Num tempo onde tudo é relativo, viver a fé é escolher ter raízes. É aceitar ser diferente, ainda que isso custe incompreensão. É ter coragem de dizer “sim” para Deus num mundo que insiste em nos empurrar para o “talvez”.

A boa notícia é que não estamos sozinhos. Somos Igreja, somos comunidade, somos corpo. E juntos, apoiados na Palavra e na Eucaristia, podemos atravessar até os tempos mais líquidos com o coração firme. Porque quem vive pela fé, não afunda: caminha sobre as águas.

Que o nosso testemunho seja essa âncora no mundo: silenciosa, mas firme; discreta, mas cheia de sentido. Porque mesmo em tempos líquidos, o amor de Deus continua sendo rocha.

E isso muda tudo.

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